Artrose em Idosos: Como Identificar os Sintomas e Tratar a Dor nas Articulações
Artrose: sintomas, causas, tipos, tratamento e cuidados
Artrose, também conhecida por osteoartrose ou osteoartrite, é uma doença articular crónica caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as extremidades dos ossos numa articulação.
Esta cartilagem funciona como um amortecedor natural e uma superfície de baixo atrito, permitindo que os ossos deslizem suavemente uns sobre os outros durante o movimento, sem gerar desconforto. Quando se desgasta, os ossos passam a ter um contacto mais direto entre si, o que provoca dor, rigidez e, com o tempo, perda de mobilidade na articulação afetada.
É a forma mais comum de doença articular a nível mundial, sobretudo a partir dos 50 anos, e afeta com maior frequência os joelhos, as ancas, as mãos e a coluna vertebral, embora possa surgir, com menor frequência, em praticamente qualquer articulação do corpo.
Embora esteja associada ao envelhecimento natural das articulações, a artrose não é uma consequência inevitável da idade – fatores como o excesso de peso, lesões prévias, uso repetitivo de uma articulação e predisposição genética também influenciam o seu aparecimento e progressão.
Não existe, atualmente, cura definitiva para a artrose, mas existem várias abordagens combinadas que ajudam a controlar a dor, manter a mobilidade e retardar a progressão da doença, permitindo que a maioria das pessoas continue a ter uma vida ativa, autónoma e independente durante muitos anos após o diagnóstico.
Sintomas de artrose
Os sintomas da artrose desenvolvem-se geralmente de forma lenta e gradual, ao longo de meses ou anos, e tendem a piorar com o tempo se não forem adotadas medidas de controlo.
Os principais sinais incluem:
- Dor na articulação, que costuma piorar com o movimento ou esforço e aliviar com o repouso
- Rigidez articular, mais notória ao acordar ou após períodos prolongados sem se mexer, e que geralmente melhora nos primeiros 30 minutos de atividade
- Inchaço ligeiro a moderado na articulação afetada
- Sensação de atrito, estalido ou “areia” ao mover a articulação
- Redução progressiva da amplitude de movimento
- Fraqueza muscular à volta da articulação, por menor utilização ao longo do tempo
- Em fases mais avançadas, deformidade visível da articulação, sobretudo nas mãos
A intensidade e a evolução dos sintomas variam bastante de pessoa para pessoa, e nem sempre existe uma relação direta entre o grau de desgaste visível em exames de imagem e a intensidade da dor sentida.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico de artrose é feito por um médico, geralmente clínico geral, ortopedista ou reumatologista, com base na avaliação dos sintomas descritos, no histórico de saúde da pessoa e num exame físico da articulação, que inclui a observação da mobilidade, da presença de inchaço e de sinais de desconforto durante certos movimentos.
Para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de desgaste, o médico pode solicitar exames complementares, como:
- Radiografia (raio-X) da articulação, que permite observar a redução do espaço articular e a presença de alterações ósseas características
- Ressonância magnética, em casos que exijam uma avaliação mais detalhada dos tecidos moles, como a cartilagem
- Análises ao sangue, que não diagnosticam diretamente a artrose, mas ajudam a excluir outras causas de dor articular, como a artrite reumatoide
Quando procurar avaliação médica?
É importante procurar avaliação médica sempre que a dor articular for persistente, limitar as atividades do dia a dia ou vier acompanhada de inchaço significativo, vermelhidão ou febre, sinais que podem indicar outras condições que exigem tratamento específico.
Principais tipos de artrose
A artrose pode afetar praticamente qualquer articulação do corpo, mas alguns locais são mais frequentemente acometidos.
1. Artrose do joelho (gonartrose)
É um dos tipos mais comuns, sobretudo em pessoas com excesso de peso ou histórico de lesões no joelho. Causa dor ao caminhar, subir escadas ou levantar-se de uma posição sentada, podendo limitar significativamente a mobilidade nos casos mais avançados.
2. Artrose da anca (coxartrose)
Provoca dor na virilha, na parte lateral da anca ou, por vezes, referida ao joelho. Pode dificultar tarefas simples como calçar meias ou entrar e sair de um carro, devido à rigidez e à dor no movimento de rotação da anca.
3. Artrose das mãos
Afeta sobretudo as articulações dos dedos e a base do polegar, podendo causar a formação de pequenos nódulos ósseos visíveis, e dificultar tarefas manuais finas, como abotoar uma camisa ou abrir frascos.
4. Artrose da coluna vertebral
Afeta as pequenas articulações entre as vértebras, sendo uma causa comum de dor lombar ou cervical crónica em pessoas mais velhas. Pode, em alguns casos, comprimir estruturas nervosas próximas e causar dor irradiada para os braços ou pernas.
5. Artrose do ombro
Menos comum do que a artrose do joelho ou da anca, a artrose do ombro causa dor profunda na articulação, sobretudo ao levantar o braço acima da cabeça ou em movimentos de rotação, e pode limitar atividades como vestir-se ou pentear o cabelo.
6. Artrose do pé e do tornozelo
Costuma surgir após lesões prévias, como entorses repetidas, e provoca dor ao caminhar, sobretudo em superfícies irregulares, além de dificuldade em manter o equilíbrio em fases mais avançadas.
Possíveis causas e fatores de risco
A artrose resulta de um desequilíbrio entre o desgaste e a capacidade de regeneração natural da cartilagem articular. Diversos fatores contribuem para este desequilíbrio:
- Idade avançada – a cartilagem perde gradualmente elasticidade e capacidade de reparação com o passar dos anos
- Excesso de peso – aumenta a carga mecânica sobre articulações que suportam peso, como joelhos e ancas
- Lesões articulares prévias – fraturas, entorses ou lesões ligamentares podem acelerar o desgaste da articulação afetada
- Uso repetitivo ou sobrecarga – certas profissões ou atividades desportivas que exigem movimentos repetitivos aumentam o risco
- Predisposição genética – existe uma componente hereditária na forma como as articulações de cada pessoa envelhecem
- Sexo – as mulheres, sobretudo após a menopausa, têm maior incidência de artrose em algumas articulações, como as mãos e os joelhos
- Alterações na forma ou alinhamento articular presentes desde o nascimento ou adquiridas ao longo da vida
- Fraqueza muscular à volta da articulação, que reduz a capacidade de absorção de impacto
Artrose primária e artrose secundária
Artrose primária
A artrose primária é a forma mais comum e está associada sobretudo ao envelhecimento natural da articulação, sem uma causa específica identificável para além do desgaste progressivo ao longo dos anos.
Costuma surgir de forma simétrica, afetando articulações semelhantes dos dois lados do corpo, como as duas mãos ou os dois joelhos.
Artrose secundária
A artrose secundária, por sua vez, desenvolve-se como consequência de uma causa identificável, como uma lesão articular prévia, uma deformidade congénita, uma doença metabólica ou uma outra doença articular inflamatória que danificou previamente a cartilagem.
Neste caso, tende a afetar apenas a articulação diretamente envolvida na causa original, não seguindo necessariamente um padrão simétrico.
Esta distinção é relevante porque, na artrose secundária, tratar ou controlar a causa subjacente pode ajudar a retardar a progressão do desgaste articular, algo que não se aplica da mesma forma à artrose primária.
Como é feito o tratamento
O tratamento da artrose tem como objetivos principais aliviar a dor, manter a função articular e retardar a progressão da doença. Deve ser orientado por um médico e, frequentemente, envolve uma combinação de abordagens.
Tratamento não farmacológico
- Fisioterapia, com exercícios específicos para fortalecer os músculos à volta da articulação e melhorar a amplitude de movimento
- Controlo do peso corporal, quando aplicável, para reduzir a carga sobre as articulações afetadas
- Exercício físico regular e adaptado, como caminhada, hidroginástica ou ciclismo, que ajuda a manter a mobilidade sem sobrecarregar a articulação
- Uso de auxiliares de marcha, como bengala ou andarilho, quando necessário, para reduzir a carga sobre articulações como o joelho ou a anca
- Aplicação de calor para aliviar a rigidez, ou gelo em períodos de maior inflamação
Tratamento farmacológico
- Analgésicos, para alívio da dor, sempre sob orientação médica
- Anti-inflamatórios não esteroides, orais ou tópicos, usados de forma pontual e com acompanhamento médico devido a possíveis efeitos secundários
- Infiltrações articulares, como corticosteroides ou ácido hialurónico, reservadas para casos específicos e avaliadas caso a caso pelo médico
Tratamento cirúrgico
Reservado para casos avançados, em que a dor e a limitação funcional são significativas e não respondem às outras formas de tratamento.
A cirurgia mais comum é a artroplastia (substituição total ou parcial da articulação por uma prótese), realizada com maior frequência em joelhos e ancas, e que costuma trazer melhorias significativas na qualidade de vida da pessoa.
Impacto da artrose no dia a dia
Para além da dor física, a artrose pode ter um impacto significativo noutras áreas da vida da pessoa, sobretudo quando afeta articulações envolvidas em tarefas básicas do quotidiano.
Autonomia
Tarefas simples, como vestir-se, subir escadas ou pegar em objetos, podem tornar-se progressivamente mais difíceis, levando por vezes a uma maior dependência de terceiros.
Sono
A dor articular, sobretudo quando presente durante a noite, pode dificultar o adormecer e causar despertares frequentes, o que por sua vez agrava a perceção de dor no dia seguinte.
Estado emocional
A limitação progressiva de atividades que a pessoa antes realizava sem dificuldade pode associar-se a frustração, isolamento social e, nalguns casos, sintomas de tristeza ou desânimo persistente, que também devem ser abordados no acompanhamento médico.
Por estas razões, o acompanhamento da artrose não se deve limitar ao controlo da dor física, mas considerar também o impacto mais amplo na qualidade de vida da pessoa.
Cuidados e hábitos que ajudam no dia a dia
Para além do tratamento médico, alguns cuidados no dia a dia podem contribuir para reduzir o desconforto e manter a autonomia:
- Manter-se em movimento, evitando longos períodos de imobilidade, que tendem a agravar a rigidez
- Adaptar tarefas domésticas e atividades diárias para reduzir o esforço sobre a articulação mais afetada
- Usar calçado adequado, com bom amortecimento, sobretudo em casos de artrose do joelho ou da anca
- Evitar permanecer muito tempo na mesma posição, alternando entre sentado e em movimento
- Manter uma alimentação equilibrada, que ajude no controlo do peso corporal
- Seguir o plano de exercícios orientado por um fisioterapeuta, mesmo em dias de menor desconforto, para manter os benefícios a longo prazo
Artrose e envelhecimento: o que é esperado e o que não é
É comum ouvir-se que “dores nas articulações fazem parte de envelhecer”, e há alguma verdade nisso – alterações ligeiras na cartilagem são praticamente universais a partir de uma certa idade, mesmo sem causarem sintomas relevantes.
No entanto, isso não significa que toda a dor articular na pessoa idosa deva ser aceite passivamente como “normal” e deixada sem avaliação.
É esperado que possa existir alguma rigidez ligeira ao acordar, que melhora com o movimento ao longo da manhã.
Sinais que devem ser avaliados:
Dor intensa o suficiente para interferir com atividades básicas, dor que surge de forma súbita numa articulação previamente sem queixas, ou dor acompanhada de inchaço marcado, calor local ou vermelhidão.
Estes sinais podem apontar para outra causa, distinta da artrose.
Vale também a pena referir que, embora a artrose seja mais comum com a idade, a decisão de tratar ou não tratar os sintomas nunca deve depender apenas da idade da pessoa.
Uma pessoa de 80 anos com artrose no joelho pode beneficiar tanto de fisioterapia e controlo de peso como uma pessoa de 55 anos – a idade, por si só, não deve ser motivo para deixar de procurar alívio dos sintomas.
Artrose e osteoporose: uma confusão comum
É frequente as pessoas confundirem artrose com osteoporose, já que ambas afetam o sistema osteoarticular e são mais comuns com o avançar da idade. No entanto, são condições bastante diferentes, tanto na causa como nas consequências.
Artrose
A artrose afeta a cartilagem que reveste as articulações, e o seu sintoma principal é a dor, sobretudo associada ao movimento.
É uma doença articular.
Osteoporose
A osteoporose, por outro lado, afeta a densidade e a resistência do próprio osso, tornando-o mais frágil e suscetível a fraturas.
É uma doença óssea, não articular.
É possível – e até comum – que a mesma pessoa tenha as duas condições ao mesmo tempo, já que ambas partilham alguns fatores de risco, como a idade avançada e, no caso das mulheres, o período pós-menopausa.
No entanto, o tratamento de cada uma é distinto: a artrose foca-se no controlo da dor e na preservação da função articular, enquanto a osteoporose foca-se em fortalecer o osso e prevenir fraturas, geralmente através de suplementação de cálcio e vitamina D, exercício com carga, e, em alguns casos, medicação específica para a densidade óssea.
Perceber esta diferença é importante para que cada condição seja tratada de forma adequada e específica, em vez de se assumir que ambas respondem às mesmas medidas.
E os suplementos, como glucosamina e condroitina?
A glucosamina e a condroitina são suplementos frequentemente promovidos para a saúde articular, e muitas pessoas com artrose perguntam se valem a pena.
A evidência científica sobre a sua eficácia é, no entanto, mista: alguns estudos sugerem um alívio ligeiro da dor em algumas pessoas, enquanto outros não encontram diferença relevante em comparação com um placebo.
Isto não significa necessariamente que não tenham qualquer efeito, mas sim que a evidência disponível não permite recomendá-los de forma generalizada como tratamento eficaz para todas as pessoas com artrose.
São geralmente considerados seguros para a maioria das pessoas, mas, tal como qualquer suplemento, devem ser discutidos com o médico antes de iniciar o uso, sobretudo em pessoas que tomam outros medicamentos ou têm outras condições de saúde.
Importante:
Estes suplementos nunca devem substituir as medidas com maior evidência de eficácia, como o exercício físico adaptado e o controlo do peso corporal.
Perguntas frequentes
A artrose tem cura?
Atualmente não existe cura definitiva para a artrose, uma vez que a cartilagem danificada não se regenera totalmente. No entanto, o tratamento adequado permite controlar os sintomas de forma eficaz e manter uma boa qualidade de vida durante muitos anos.
Exercício físico piora a artrose?
Pelo contrário. O exercício adaptado e orientado é uma das intervenções mais eficazes para controlar os sintomas da artrose, ao fortalecer os músculos de suporte e manter a mobilidade articular.
A inatividade tende a agravar a rigidez e a fraqueza muscular.
Existe alguma forma de prevenir a artrose?
Não é possível evitar completamente a artrose, sobretudo quando existe predisposição genética, mas é possível reduzir o risco e retardar o seu aparecimento através do controlo do peso corporal, da prática regular de exercício físico e da prevenção de lesões articulares.
Artrose e artrite são a mesma coisa?
Não. A artrose é uma doença degenerativa, relacionada com alterações da articulação e da cartilagem ao longo do tempo.
A artrite reumatoide, por exemplo, é uma doença autoimune e inflamatória, com um mecanismo completamente diferente, apesar de ambas causarem dor articular.
Quando devo procurar um médico?
Sempre que a dor articular for persistente, limitar as atividades diárias, ou vier acompanhada de inchaço importante, vermelhidão, calor local ou febre, sinais que podem indicar outras causas de dor articular que exigem avaliação específica.
A artrose pode afetar mais do que uma articulação ao mesmo tempo?
Sim, e é bastante comum que a artrose afete várias articulações simultaneamente, sobretudo na forma primária, que tende a surgir de forma simétrica em articulações semelhantes, como as duas mãos ou os dois joelhos.
O frio ou a humidade pioram a artrose?
Muitas pessoas com artrose relatam sentir mais desconforto em dias frios ou húmidos, embora a explicação científica completa para este fenómeno ainda não seja totalmente clara.
Manter a articulação aquecida e em movimento costuma ajudar a reduzir esse desconforto.
Perder peso realmente ajuda na artrose do joelho?
Sim. A redução do peso corporal pode diminuir a carga exercida sobre os joelhos durante a marcha, o que pode traduzir-se, para muitas pessoas, numa redução da dor e numa melhoria da função articular.
A artrose é hereditária?
Existe uma componente genética reconhecida na artrose, sobretudo na forma que afeta as mãos, mas a herança genética é apenas um dos vários fatores envolvidos.
O peso corporal, o nível de atividade física e o histórico de lesões também têm um papel importante e são fatores que podem ser geridos.
Quanto tempo demora a notar melhorias com o tratamento?
Varia consoante a pessoa e a articulação afetada, mas muitas pessoas notam alguma melhoria na dor e na mobilidade dentro de quatro a seis semanas de um programa consistente de exercício e, quando aplicável, perda de peso.
Os benefícios tendem a consolidar-se e a manter-se com a continuidade do tratamento a longo prazo.
Vale ainda referir que a resposta ao tratamento não é sempre linear – podem existir dias ou semanas de maior desconforto, mesmo com a rotina de exercício e cuidados a ser seguida corretamente, sem que isso signifique que o tratamento não está a funcionar.
O acompanhamento continuado com um profissional de saúde ajuda a ajustar o plano conforme necessário ao longo do tempo.
É seguro fazer exercício numa articulação que já tem artrose?
Sim, desde que o tipo e a intensidade do exercício sejam adequados à condição específica da pessoa, idealmente com orientação de um fisioterapeuta.
Exercícios de baixo impacto, como caminhada, natação ou ciclismo, são geralmente bem tolerados e podem trazer benefícios, mesmo em articulações já afetadas pela artrose.
A artrose é uma doença articular crónica e comum, sobretudo a partir da meia-idade, associada a alterações progressivas da articulação e da cartilagem.
Embora não tenha cura definitiva, o diagnóstico atempado e um plano de tratamento adequado – que geralmente combina exercício físico, controlo de peso, fisioterapia e, quando necessário, medicação ou cirurgia – permitem controlar eficazmente os sintomas e preservar a mobilidade e a autonomia a longo prazo.
Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem continuar a viver de forma ativa e independente durante muitos anos.
Fontes e referências
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